Há
quem diga que as cotas raciais são uma forma de instalação do racismo
no nosso país. Porém, as mesmas pessoas que afirmam isto defendem a
volta e acesso exclusivo da elite às instituições de ensino, que antes
eram frequentadas pelas famílias mais ricas de cada região, uma vez que
detinham condições financeiras suficientes para bancar escolas de
primeiro mundo para seus filhos, diferentemente das famílias pobres num
passado não tão distante.
Essa
condição de vida ruim que os negros detinham se deu por conta da
negligência e ignorância do povo brasileiro no período pós Lei Áurea,
que abandonou as traças os negros que antes eram escravos. Durante a
modernização do país, os imigrantes que aqui chegaram tiveram mais
oportunidades de empregos e tiveram acesso as melhores instituições do
Brasil, deixando de lado, mais uma vez, os negros, agora ex- escravos.
Portanto, não tinham saída a não ser morarem nas ruas e realizarem
trabalhos que lhes proporcionavam uma baixa renda, além de voltarem a
trabalhar nas casas dos que antes eram seus senhores, só que numa
situação um pouco melhor, o que não mascara a situação precária de seus
exercícios.
Veja só: No brasil, os negros tiveram de servir os senhores, sob condições subumanas, por 354 anos. Isso mesmo, 354 anos.
As
cotas são uma tentativa de encurtar a distância do abismo que existe
entre a população branca privilégiada e a afro prejudicada, no caso das
instituições de ensino superior. Que fique claro que existe uma grande
diferença entre igualdade e justiça, pois igualdade é colocar as pessoas
nas mesmas condições de aprendizagem, o que não é nem um pouco
cotidiano aqui e seria ótimo se acontecesse. E justiça se encaixa nesse
contexto, uma vez que não há a igualdade, o governo deve criar
mecanismos para que a população prejudicada se sinta amparada de alguma
forma, isso pode ser visto em programas como as cotas para Universidades
Públicas e o PRONATEC, que não entra nesta discussão nesse momento.
O justo é tranquilíssimo, o injusto é sempre muito solícito.Epicuro

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